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Professor da UA contraria previsão da AccuWeather
2019/05/23

O próximo verão pode não ser tão quente como referem “as notícias publicadas em Portugal baseiam-se num artigo de opinião publicado pelo AccuWeather aqui , segundo Alfredo Rocha, professor de Meteorologia e Clima do Departamento de Física da Universidade de Aveiro.

“Em termos estatísticos até será de esperar que os recordes de temperatura venham a acontecer. A ciência tem mostrado que as temperaturas estão e irão aumentar e que o número e intensidade das ondas de calor estão e irão aumentar e acontecer e as catástrofes previstas mas, deterministicamente, não é possível dizer que tal irá acontecer este verão ou se no próximo“, segundo o professor.

Por isso pergunta: “Verão escaldante, será mesmo?“, depois da publicação de “notícias que davam conta de uma previsão de tempo a médio-longo prazo sobre a ocorrência de temperaturas recorde, ondas de calor, fogos florestais no próximo verão em Portugal, Espanha e outros países da Europa“.

Quando a meteorologia “é uma ciência“, a AccuWeather é uma “empresa que tem um modelo de negócio baseado em subscrições e em anúncios, precisa de sobreviver e, infelizmente, nem sempre as metodologias usadas para o fazer são as mais responsáveis, não faz ciência nem previsão de tempo e/ou clima (pelo menos não o dizem)“.

Segundo Alfredo Rocha, recorre a previsões de tempo e clima realizadas por institutos e centros de meteorologia de referência (embora nem sempre isso seja dito) e publicam essas previsões dando-lhe uma roupagem mais ‘cool’. Nada de mal com isso desde que identifiquem as fontes e os métodos utilizados, mas não se 'estiquem' para além da ciência fazendo previsões como estas“.

O professor da UA indica o IPMA, ECMWF, NOAA etc. como as “únicas previsões sérias com alguns meses de avanço são aquelas realizadas e divulgadas pelos centros de referência e que, para já, têm muito pouca utilidade para horizontes temporais para além de um mês“.

Criticando o tratamento da informação e da mensagem, “as notícias não mencionam como foram obtidas tais previsões, nomeadamente, qual o centro de previsão, modelo meteorológico e método científico para chegar às conclusões publicadas. Seria de esperar que, ao ler o artigo, os jornalistas contactassem o IPMA, ou acrescentassem ciência antes de as publicarem. Também seria desejável o IPMA pronunciar-se explicitamente sobre estas notícias. Tal não aconteceu, salvo algumas exceções“.

De resto, diz que “se este verão for 'normal' ninguém se vai lembrar das previsões publicadas, mas se as mesmas se vierem a verificar, então sim, a AccuWeather e a comunicação social acertaram, etc…“ e acrescenta que “não obstante os avanços científicos que vêm sendo registados, a análise e interpretação dos sinais fornecidos pelos modelos para o longo prazo devem ser efetuadas tendo presente que se trata de produtos ainda em fase de desenvolvimento e que fornecem indicações baseadas em probabilidades de ocorrência e sem caráter determinístico. Recomenda-se em consequência uma interpretação cuidada dos resultados apresentados nas previsões sazonais“.

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