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Capacetes certificados não protegem motociclistas
2014/06/03

As normas internacionais que regulamentam os capacetes não oferecem aos motociclistas uma proteção segura , segundo Fábio Fernandes, estudante de doutoramento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro.

Segundo comunicado da UA, «a análise aos testes de impacto realizados por institutos homologados em capacetes que obedecem às normas da ONU, e que estão em vigor na União Europeia, e dos Estados Unidos da América (EUA) garantem que estas estão desajustados com a realidade».

Segundo Fábio Fernandes, «As lesões previstas com grande probabilidade de ocorrência na minha análise foram concussões e lesões axonais difusas. Estas lesões foram previstas para impactos cuja velocidade de impacto do motociclista andaria entre os 25 e os 30 quilómetros por hora». Quanto a impactos a velocidades «muito superiores estão sempre a acontecer e os resultados podem ser devastadores». Conclui que «os capacetes atuais são capazes de passar nos testes das normas mas, na realidade, falham como meio de proteção».

Traumatismos cranioencefálicos, perda da consciência, distúrbios na memória, cefaléias, náuseas, vómitos e disfunções visuais são algumas das consequências para os motociclistas que, a circularem apenas entre os 25 e os 30 quilómetros por hora - a velocidade imposta aos testes de qualidade pelas normas internacionais - tenham um acidente com impacto em capacetes certificados e, por isso, à venda em qualquer loja.

Alternativa «Como alternativa aos materiais usados pelos capacetes, o Departamento de Engenharia Mecânica da UA está a estudar a cortiça. “Ao contrário do poliestireno expandido (EPS), que é atualmente o material mais utilizado como revestimento interno dos capacetes, a cortiça é um material natural, capaz de absorver grandes quantidades de energia”, explica o investigador. Ainda no caso do EPS, este absorve a energia deformando-se permanentemente. “O que quer dizer que após um primeiro impacto, este não oferece qualquer tipo de proteção ao utilizador, um problema ainda se torna mais grave se se tiver em consideração impactos de grande energia”, aponta Fábio Fernandes.

Além das inúmeras vantagens da cortiça como material para protecção enquanto revestimento interno dos capacetes, “capaz de proteger os motociclistas em impactos mais fortes e também em impactos subsequentes devido ao seu retorno elástico”, esta também é reciclável e biodegradável».

Durante a avaliação da capacidade de proteção dos capacetes, Fábio Fernandes, utilizou modelos aprovados pela ECE R22-05, a homologação adotada pela ONU e vigente em grande parte da Europa, pela DOT utilizada nos EUA e pela brasileira NBR 7471. Os impactos simulados por Fábio Fernandes foram os utilizados pelas regras internacionais para permitir ou não a entrada no mercado dos capacetes.

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