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Solução para inativar bactérias multirresistentes
2014/03/25

Uma equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro procura uma solução para a resistência de estirpes bacterianas a vários antibióticos, uma ameaça cada vez mais séria à saúde pública, sendo um destes métodos a terapia fotodinâmica que tem vindo a ser testado no tratamento de esgotos hospitalares «onde são frequentemente encontradas essas bactérias multirresistentes e, segundo os estudos realizados até agora, mostra ser bem mais eficiente que outras abordagens convencionais». Segundo comunicado da UA, «vários artigos publicados neste âmbito mereceram reconhecimento nacional e internacional».

O mesmo comunicado refere que «as estirpes de bactérias em causa, onde se incluem, entre outras, o Staphylococus aureus e Enterococus sp., podem ser causadoras de infeções simples ou sistémicas, infeções respiratórias ou intoxicações de difícil tratamento devido à sua resistência a vários antibióticos conhecidos. Mais frequentes nos efluentes hospitalares, já foram também detetadas em estações de tratamento de águas residuais para onde aqueles acabam por ser conduzidos sem um tratamento prévio adequado».

Esta terapia usada no tratamento de certos tipos de cancro, está agora a ser testada no tratamento destes efluentes hospitalares. «Consiste basicamente na utilização de “fotossensibilizadores”, como porfirinas, ftalocianinas, clorinas e alguns corantes que, que absorvem luz visível, transferindo energia para moléculas ao seu redor, originando espécies reativas de oxigénio (ROS – reactive oxygen species) que são altamente citotóxicas provocando alteração nas biomoléculas (proteínas, lípidos e ácidos nucleicos) destes microrganismos patogénicos, levando à sua inativação».

A equipa, coordenada por Adelaide Almeida, envolve investigadores do Departamento de Biologia que pertencem ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA, e do Departamento de Química, mais concretamente à Unidade de Investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA).

INFO UA «Nenhum dos estudos realizados até agora mostrou ser possível desenvolver resistência bacteriana a este tipo de tratamento, indicando que este método produz efeitos irreversíveis nestes microrganismos.

Enquanto os antibióticos atuam sobre um constituinte celular específico, como uma chave encaixa numa fechadura, a PDI, através da ação dos ROS, atua sobre vários componentes celulares, como proteínas, lípidos e ácidos nucleicos. Uma das principais vantagens da PDI sobre os antibióticos convencionais é precisamente o facto de ser uma abordagem terapêutica considerada multialvo, o que torna improvável o desenvolvimento de resistência à terapia fotodinâmica.

Um dos artigos mais recentes neste âmbito, assinado por Almeida J, Tomé J, Neves G, Tomé A, Cavaleiro J, Cunha A, Costa L, Faustino M, Almeida A, intitulado “Photodynamic inactivation of multidrug-resistant bacteria in hospital wastewaters: influence of residual antibiotics” foi publicado na revista Photochemical & Photobiological Sciences e selecionado para ser capa do próximo número. Foi também escolhido para figurar entre os "research highlights" na Chemistry World que publicou um resumo do trabalho desta equipa de investigadores (http://www.rsc.org/chemistryworld/2014/02/disinfect-hospital-wastewater-bacteria-photodynamic). Este estudo indica que há vantagens em realizar o tratamento por terapia fotodinâmica ainda no efluente hospitalar onde existem, habitualmente, resíduos de antibióticos, possibilitando uma ação sinérgica, levando a uma maior eficiência de inativação das bactérias multirresistentes.

Um outro artigo recente deste grupo de investigação, também no âmbito desta terapia, da autoria de Alves E, Faustino M A F, Tomé J P C, Neves M G P S, Tomé A C, Cavaleiro J A S, Cunha A, Newton G, Almeida A, com o título “Nucleic acid changes during photodynamic inactivation of bacteria by cationic porphyrins”, publicado na revista Bioorganic & Medicinal Chemistry, e selecionado para figurar como um “Key Scientific Article” no Global Medical Discovery (http://globalmedicaldiscovery.com/key-scientific-articles/nucleic-acid-changes-photodynamic-inactivation-bacteria-cationic-porphyrins/), veio mostrar que na terapia fotodinâmica os ácidos nucleicos, DNA e o RNA, bacterianos só são afetados pela PDI quando as células estão já inativadas ou inviáveis. Assim, confirmou-se que a possibilidade de as bactérias conseguirem desenvolver mecanismos de resistência a este tipo de tratamento é muito reduzida ou inexistente.

Já em novembro de 2013, o projeto de investigação “Terapia fotodinâmica na inativação de microrganismos em águas residuais: uma tecnologia eficaz, de baixo custo e de reduzido impacto ambiental”, coordenado por Adelaide Almeida, fora merecedor de uma menção honrosa na 6ª edição do Green Project Awards Portugal 2013, na categoria 'Investigação e Desenvolvimento`».

Em 2012, Alexandra Moura, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, explicou que em Portugal “só uma minoria das estações faz o tratamento terciário”, avança o portal netfarma, citado pelo

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