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Coroas dentárias da UA para revolucionar o mercado
2013/01/12

Desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) o novo material, igualmente produzido a partir da cristalização controlada de compostos vítreos, para além de abrir as portas à descida dos preços na hora de recompor os dentes, já que tem um processo de produção simplificado, bate na qualidade as coroas dentárias que os dentistas têm hoje à disposição, segundo comunicado.

O mesmo comunicado refere que «é mais barato, mais resistente e mais fácil de produzir quando comparado com os atuais materiais vitro-cerâmicos usados em coroas dentárias. O segredo dos investigadores de Aveiro está nos ingredientes usados e na forma como são processados».

Segundo José Maria Ferreira, responsável pelo Grupo de Processamento de Materiais Avançados do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da UA, «o material vitro-cerâmico que desenvolvemos tem menos componentes, nomeadamente no que diz respeito aos óxidos, e resulta do tratamento térmico que apurámos».

O investigador garante que o material vitro-cerâmico desenvolvido pela academia de Aveiro «é mais barato, por ser mais simples de fabricar e “tem um desempenho superior” ao material usado atualmente nas coroas dentárias.

O comunicado refere que «o processamento do material está no segredo do laboratório e promete, no futuro, trazer outras aplicações para além das coroas dentárias. Proteções balísticas à base de materiais vitro-cerâmicos, por exemplo, estão já a ser estudadas pelo Grupo de Processamento de Materiais Avançados da UA».

INFO UA
«Quando são tratadas algumas composições vítreas a uma temperatura adequada, explica José Maria Ferreira, “os átomos têm alguma mobilidade e conseguem encontrar os parceiros certos para formarem estruturas cristalinas que são mais rígidas e que conferem outras propriedades mecânicas ao conjunto”. Para aplicações específicas, como é o caso das coroas dentárias, a equipa da UA “estudou e afinou o efeito dos componentes nessas composições e otimizou-os de modo a maximizar nelas as propriedades pretendidas”.

Assim, na UA, “a novidade do processamento de matérias vitro-cerâmicos com vista ao fabrico de coroas dentárias está na otimização das propriedades” e na perceção de como estas dependem da composição. “Temos um controle do produto final através da composição e o modo como é processada”, aponta José Maria Ferreira.

Produzidos a partir da cristalização controlada de materiais vítreos, através de um tratamento térmico a altas temperaturas, os vitro-cerâmicos à base de dissilicato de lítio estão entre os produtos mais usados em aplicações dentárias. A utilização desse ingrediente deve-se à sua dureza e a elasticidade, muito semelhantes ao dente humano.

“A dureza dos materiais para fabricar as coroas dentárias deve ser muito semelhante à que existe nos nossos dentes, caso contrário, se for muito mais duro, vai desgastá-los”, explica o investigador justificando o uso dentário dos vitro-cerâmicos por estes terem uma dureza semelhante à dos dentes humanos. “São materiais facilmente moldáveis e os cristais desenvolvem-se de uma forma alongada o que lhes confere a tenacidade que evita fraturas”, diz.».

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