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Opinião
2012/02/02

(Texto de opinião do vice-presidente da Câmara de Aveiro, Carlos Santos)

Tem havido grande agitação em alguns meios de comunicação – jornais, blogues, redes sociais – desde que apareceram no Rossio as marcações para o estaleiro do empreiteiro que vai fazer a obra da Ponte Pedonal sobre o Canal Central. Essa agitação tornou-se uma realidade em si mesma e cresceu sem que muitos daqueles que contribuem para o seu crescimento conheçam os argumentos contrários, as razões que justificam a defesa do projecto. Não se pretende, com a exposição sucinta de algumas dessas razões, diminuir a importância da participação cidadã nem desvalorizar a relevância dessas movimentações comunitárias. O que se intenta é, somente, contribuir para o seu esclarecimento.

A agora polémica ponte sobre o canal é uma peça de um projeto – Parque da Sustentabilidade – que foi aprovado e se traduz num conjunto de investimentos de 14 milhões de euros, financiados a 80% pelos quadros comunitários. Já estão a decorrer a requalificação urbana do parque da Baixa de Santo António, a reabilitação do edifício da Fábrica de Moagens, a construção do edifício e equipamento de animação e formação artístico-científica, a intervenção nas instalações desportivas do Clube de Ténis de Aveiro, a requalificação urbana do Parque Infante D. Pedro, a construção do Centro de Educação Ambiental, a reabilitação da Casa de Chá, o restauro da Igreja de Santo António e da Capela de São Francisco e a construção da Comunidade Sustentável.

A Ponte Pedonal sobre o Canal Central, para além do escrutínio político e público a que atempadamente se submeteu, foi objeto de um concurso público internacional, o qual cumpriu todos os requisitos justificados pela indispensável transparência na contratação de obras públicas. O projecto que ganhou o concurso (anónimo e, repita-se, respeitador de todos os requisitos legais) é de um especialista inglês em pontes pedonais, o arq.to Kit Powell Williams. Este arquitecto projectou dezenas de pontes que foram construídas em variadíssimos países. A sua obra é internacionalmente respeitada. A sua proposta, entre os dezoito projectos analisados, foi considerada pelo júri como aquela que melhor responde ao programa, tanto em termos funcionais como de integração paisagística.

No contexto da agitação de águas que se quer associar à ponte, o executivo aveirense foi acusado de não cumprir o PU Pólis. Trata-se de uma falsidade, como de resto se pode comprovar por ofícios da ARH Centro e da CCDR Centro.

Mas voltemos à ponte. Trata-se de uma estrutura muito simples, com um vão perpendicular às margens, onde assenta, sem tocar na água e com o mínimo de interferência no passeio de ambos os lados. Também as rampas que permitem a acessibilidade universal a todos os cidadãos se apoiam nas margens, sem tocar na água, mas sobre esta. A ponte será constituída por uma lâmina de betão branco, muito fina, que na espessura máxima tem 45 centímetros, mas que fica muito mais delgada nos topos visíveis. É de fácil manutenção, elegante e discreta.

Esta ponte permitirá percursos muito diversos e serve os peões que atravessarão o canal com variadas origens e variados destinos. Deixa livre o canal com a altura necessária para a navegação, respeitando todas as regras. Esta ponte não obrigará à amputação das proas de quaisquer barcos moliceiros. Vai criar novas perspetivas sobre a cidade e sobre o canal e, certamente, vai ser um local de eleição para fazer a fotografia de sonho quer dos aveirenses quer dos muitos turistas que visitam a nossa cidade. A ponte permitirá unicamente o atravessamento pedonal, garantindo o acesso a pessoas de mobilidade reduzida ou com carrinhos de bebés.

Outra das muitas acusações que indiscriminadamente se têm esgrimido contra a ponte é a do dispêndio económico que representa em tempos que são de reconhecida crise. A verdade, porém, é que esta ponte custará muito pouco ao município. A obra será comparticipada em 80% pela União Europeia, devendo os cofres da Autarquia suportar o gasto de apenas 80 mil euros. De acordo com as normas da EU, o valor da comparticipação está afeto a este projeto, não podendo ser utilizado para outros fins.

Paradoxalmente, entre aqueles que agora contestam a construção desta ponte pedonal – e sabemos que a maioria daqueles que a criticam são cidadãos aveirenses bem-intencionados, ainda que porventura não totalmente informados – contam-se os verdadeiros campeões da construção de pontes. Existem, nesta matéria, alguns elementos que talvez devam ser tidos em conta:

1 – entre 1997 e 2005 foram construídas, lançadas ou planeadas 9 pontes;

2 – 3 dessas 9 pontes não têm altura suficiente, obrigando os moliceiros a cortar a proa;

3 – este Executivo vai levantar essas 3 pontes, para que os moliceiros circulem com proa, o que implica o gasto de um valor superior ao custo da nova ponte.

A arquitetura nunca é consensual. A Ponte do Laço não o foi seguramente. Muitos diziam ser monstruosos todo o ferro e o betão que a sustentam. O que é consensual é que todos amamos e respeitamos as imagens de Aveiro antiga, com as duas pontes, antes da ponte praça. Mas poderia Aveiro continuar a ser assim? Deveria sê-lo? Julgamos que não.

É claro que seria mais fácil se os barcos não tivessem que passar por baixo, mas nós queremo-los a navegar.

É claro que seria mais fácil se, sendo a ponte apenas para peões, fossem esquecidos os cidadãos com mobilidade reduzida. Mas nós queremos todos os cidadãos livres.

É muito mais fácil dizer mal do que defender. É muito mais fácil nada fazer do que enfrentar os que se opõem a que se faça. Não é só aqui. As pontes foram polémicas em muitas cidades. Até em Veneza o foram. Todavia, a experiência diz-nos que quando as pontes começam a unir as margens e se criam novos pontos de vista sobre a cidade e sobre a água, essas pontes deixam de ser polémicas e passam a ser queridas. E usadas. E as cidades orgulham-se. Acredito que é o que vai acabar por suceder com a Ponte Pedonal sobre o Canal Central.

Carlos Silva Santos

Vice-Presidente CMA

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