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A presença de gatos depende da presença humana
2011/11/09

Os gatos domésticos, afinal, não circulam tão livremente em zonas naturais como se temia, embora tal continue a ser motivo de preocupação para a conservação da natureza, segundo as conclusões de um estudo pioneiro sobre o gato doméstico realizado por Joaquim Ferreira, investigador do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) - Laboratório Associado – em parceria com investigadores do CBA/FCUL e espanhóis (EBD/CSIC).

Um trabalho que «representa um enorme contributo para a estratégia de conservação da diversidade biológica em áreas naturais, em especial para espécies ameaçadas como o gato-bravo-europeu, que se tem cruzado com o gato doméstico – ameaçando a integridade genética e a preservação do primeiro -, e o lince-ibérico, para o qual o gato doméstico constitui veículo de doenças», segundo comunicado da UA.

O mesmo comunicado refere ainda que «para não agravar ainda mais os problemas de conservação das espécies silvestres, o investigador de pós-doutoramento e autor do estudo, Joaquim Ferreira, sublinha a importância de manter populações de carnívoros bem conservadas nas zonas naturais e de usar espécies mais eficazes que o gato no controlo do rato doméstico, como é o caso da coruja-das-torres».

O artigo foi recentemente publicado na PLoS ONE, a maior revista científica de acesso livre com revisão por pares, disponível apenas online.

Segundo resultado da investigação, a distribuição e o número de gatos domésticos em zonas naturais «depende dos recursos disponibilizados pelo homem, sendo a sua ecologia espacial limitada pelo estado de conservação dos habitats e pela existência de uma comunidade de carnívoros silvestres bem preservada, ou seja, a presença de gatos domésticos depende da presença de pessoas, enquanto o número de gatos se relaciona com a presença das pessoas e a disponibilidade de alimentos».

Foram observados gatos domésticos em áreas naturais longe de habitações, mas «isso não significa que aí consigam viver e constituir populações assilvestradas». «Os investigadores perceberam que os movimentos diários (sobretudo impulsionados pelas fémeas) se faziam de modo a evitar grandes áreas de mato e matagais e locais de ocorrência de outros carnívoros, em particular a raposa, e que a maior distância percorrido por um macho foi de seis quilómetros, parando em várias habitações que ia encontrando. No caso da habitação mais próxima se situar a mais de três quilómetros da habitação onde está, o gato acaba por permanecer no novo local».

O estudo «Factores associados à presença humana regulam as populações de gatos domésticos em áreas naturais» é o primeiro realizado «fora de ambientes insulares ou urbanos, a partir dos quais se têm extrapolado conclusões para áreas continentais».

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