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TUBO DE ENSAIO - A MARIA JUNTA OS AMIGOS
2003-10-9

TUBO DE ENSAIO - A VIDA DE MARIA EM CONSTRUÇÃO

O cinéfilo vai-se embora sábado.
Diz-me que voltará quando eu reunir o material de que necessita para o filme sobre a morte que está a fazer. Diz ele que já só faltam os relatos, mas o gajo quer uma coisa na "primeira pessoa", ou seja, testemunhos de pessoas que passaram por experiências próximas da morte...do tipo, o túnel, as luzes, a sensação de leveza, e afins.

Claro que aqui a vossa amiga, se quiser, arranja-lhe todas as condições para que o filme aconteça tal qual ele o imaginou - conheço pelo menos dois médicos ligados à área da psicologia, que de entre os seus métodos, recorrem à terapia de regressão, a qual muitas vezes ultrapassa a infância, na sua viagem desprendida pelo tempo... Mas é preciso que as pessoas queiram fazê-lo!

Entretanto o rapaz pira-se para Londres eu que até queria vê-lo. Como não posso, promovi o "encontro do futuro": ligo à Xaninha, (que não o conhece de lado nenhum!), ela mora perto, em Espinho, ele está em Gaia, e "obrigo-a" a combinar com ele um jantar ou um copo... em meu nome! São duas pessoas lindas, vão adorar conhecer-se, e eu sempre achei que se existem almas gémeas, a Alexandra é sem duvida a parte que me falta. Como não tenho intenções de casar com ela, dou a volta ao texto e faço estas loucuras, proporcionando ao coração dela aquilo que o meu almeja!

A uma qualquer pessoa dita normal, este encontro parecerá certamente o primeiro passo para a demência.
Mas eu sei que não.
Eu quero estar com o cinéfilo e com a Xana - ambos querem estar comigo, assim juntam a mesma vontade e divertem-se à brava, e em muito pouco tempo não farei falta alguma. Assim durmo e estou com o meu filhote, que também nós precisamos de estar um com o outro sem pressas nem afazeres nem deveres, e amanhã estou como nova para assistir ao concerto dos Blind Zero.

É que o Miguel convidou-me para escrever para a revista dele, a do Canhamo, e eu estou em pulgas por acertar os pormenores. Só o tenho deixado sossegado porque sei que eles andam em digressão, e sei também que o Miguel está a passar pelo difícil processo de ver morrer alguém que amamos. Muito.

É nestas alturas que tenho pena de não dedicar mais tempo a certas pessoas, podia ajudá-lo se fossemos mais próximos...mas a nossa confiança não chega a tanto, de maneira que tenho de aguentar os cavalos e silenciar as palavras que o meu coração diz que ele precisa ouvir. C´est la vie.( Em nome do preconceito e do medo, não digas nada Maria, o que é que vão pensar de ti?!...).

E o meu coração reclama comigo, diz que me acomodei, que dou pouco quando ele é tão generoso comigo. "Qualquer dia", diz ele, "também eu compro um relógio e um apartamento, para ficar ao teu nível, entenda-se - limitado por todos os lados - ora, ora, bem podes começar a dizer adeus ao céu, às flores e ao mistério... depois não venhas choramingar para cima das artérias que eu não te atendo!"

E eu cá fico e pensar nisto tudo, primeiro, porque o meu coração está a ficar senil: eu nem tenho relógio nem apartamento!...

Contudo, nada direi ao Miguel.

Maria
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